sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Motherfucking Bands of All the Time #1: Com vocês, NIRVANA

Depois de um século e meio estou de volta. O que fazer pra agradar os seguidores (seguidores? Na boa, ninguém gosta desse blog) depois de tanto tempo inativo? Primeiramente: desculpe! Minha mãe passou por um problema, um tal de meningioma  que é um tumor na cabeça, e foi submetida há uma operação, por isso, e por outros motivos, fiquei inativo no blog, mas prometo que voltarei ao ritmo anterior, e postar mais vezes. Segundamente (?), quero expressar minha absoluta indignação com o novo design adotado pela equipe do blogger, mas como sou um fodido que não tem dinheiro pra financiar um site, continuo usando essa bomba aqui. Terceiramente (?²), apresento-lhes o Motherfucking Bands of All the Time, a nova coluna, e a mais motherfucking de todas! Sobre o que eu vou escrever em uma coluna com um nome tão chulo desses? Ora, leitores motherfucking, explico-lhes:

  • A nova coluna tem o objetivo de homenagear bandas de rock e heavy metal que merecem realmente algum destaque. Em cada nova postagem, uma banda diferente. Passaremos desde The Beatles, até System of a Down. Aproveite! =D

Episódio #1: NIRVANA. Nem só de Hello, hello, hello, how low viveu Kurt.


Nirvana é uma banda consagrada. Deixou fãs até os dias de hoje, e ainda cativa milhões de novos fãs a cada ano. Desde a morte de Kurt Cobain, guitarrista e vocalista da banda, uma geração foi mudada.

Com o primeiro CD lançado no fim da década de 1980, em 1989, Bleach, um dos melhores trabalhos do cenário underground do rock alternativo, conquistava diversos fãs, e atraia muitos a se interessarem pelo estilo Grunge adotado pela banda. Sabe aquelas bermudas com um baita de um rasgado na altura do joelho? Pois bem, isso é bem Grunge. Mas Grunge não é só um estilo de moda, tão pouco um estilo de música. é um estilo de vida. Mas falaremos disso mais tarde. Bleach servia de ponto de início para Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic no mundo da música. Com os sucessos "About a Girl", "School" e "Floyd the Barber", a banda se diferenciava de muitas por recusar inúmeras produções teatrais e efeitos de estúdio ou mesmo teclado, piano ou violino em suas produções. O som era primitivo. Apenas guitarra, baixo e bateria. Na verdade, era realmente apenas isso o que a banda precisava pra mostrar o porque veio ao mundo.

1991. O que você fazia? Alguns andavam desnorteados, loucos em um Super Nintendo. Outros tinham expectativas na industria cinematográfica (mal sabiam eles que naquela década, pérolas do terror seriam lançados. Já assistiu "Pânico"? "Eu se o que vocês fizeram no verão passado"? "A bruxa de Blair?"), e uns primeiros começavam a desacreditar no papo de "Nos anos 2000 teremos carros voadores!", introduzido em "De volta para o Futuro: Parte II". Eu? Bem... eu não era nascido... Sou de 1997, mas certamente se estivesse em vida naquela época estaria comprando o álbum Nevermind. O que, você não conhece? Tudo bem (não, se você não conhece merece morrer!). De certo conhece pelo menos a capa. O que um bebê nadando em uma piscina atrás de uma nota de um dólar lhe lembra? Sim, isso é Nevermind!

O décimo melhor álbum que define o rock'n roll de todos os tempos faz jus a fama que tem. Nevermind é perfeito! Introduziu NIRVANA ao mainstream, e apresentou ao mundo "Smells like teen Spirit". Sim, aquela música pegajosa com o refrão "Hello, hello, hello, how low", além da contraditória "Come as You Are", a confidente "Lithium", a belíssima "Polly", a romance adolescente "Drain You",  a depressiva "Something in the Way", entre outras. Mas há um detalhe. Kurt abominava o álbum. Ele o achava comercial demais, e detestava acima de tudo "Smells like teen Spirit", e seu refrão grudento. Sabe por que ele odiava a música? "Smells like (...)" é realmente boa, mas muitos acham que só existe ela. Quando se fala em Nirvana, é sempre essa a música que se vem a cabeça, isso porque a música realmente é comercial demais, e contradiz com a proposta da banda no seu primeiro álbum, o Bleach. Porém, Kurt apresenta um amor incondicional a música "Drain You", e sua letra pseudo primeiro amor.


1992. Fãs desesperado pelo mundo inteiro, principalmente nos EUA. O Movimento Grunge tendo sua explosão nas rádios, e nas televisões. O clipe de "Smells like teen Spirit" passava incansavelmente na MTV, realmente uma lavagem cerebral. Nevermind ainda vendia como água. E Nirvana era a favorita no Grunge. Ao seu lado, Pearl Jam, rivalizando com a banda. E onde estava Kurt, Krist e Dave?

Sem um novo álbum em  mãos, a opção era lançar uma coletânea de musicas inéditas da banda enquanto um novo  álbum de estúdio não era lançado. Isso é Incesticide. Anti comercial como Bleach, não teve tanto sucesso como Nevermind, mas mesmo assim vale muito a pena ser conferido. Apresentava "Sliver", bela música de crise existencial, a melancólica "Big Long Now", que é uma das mais belas músicas da carreira da banda inteira, a barulhenta "Aneurysm",  a obscena "Beeswax", além de uma nova versão agitada e animada de "Polly", no melhor ritmo Punk Rock que a banda já conseguiu produzir em toda sua carreira. A musica é intitulada "(New Wave) Polly", mas se você quiser ouvir, pesquise primeiro sua versão original, lenta e bela, no álbum Nevermind.

Agora em 1993, com a banda sendo absolutamente a maior no quesito Grunge, eis, que In Utero é lançado. O novo e aguardadíssimo álbum da  banda não agrada tanto como Nevermind, mas para alguns, chega a ser superior ao segundo álbum da banda. O fato é que aqui encontramos o auge do "anticomerionalismo". Microfonia durante a música, erros propositais de guitarras na música com um dos maiores nome de todos os tempos, "Frances Farmer will Have Her Revenge in Seattle", vocais extremamente sujos e uma das músicas mais gritadas da carreira da banda, "Scentles Aprentice". Mas se você pensa que isso torna o álbum ruim, você está tão enganado como nunca ficou na sua vida. É tudo excelente, e excentricamente bem feito. As letras de "Milk it" e "Penyroyal Tea" revelam a vontade inexplicável de Kurt de nunca ter nascido,  revelam a dor que sentia todos os dias por odiar a si mesmo. "Serve the Servantes", a primeira música do álbum revela com eficiência o drama familiar de Kurt quando criança/adolescente. Das brigas que tinha com seu pai, e uma frase choca o ouvinte: "Eu só quero que você saiba que eu não te odeio mais. Não há nada que posso dizer que eu não disse antes". Sem dúvida uma indireta extremamente direta para seu pai. Músicas como "All Apologies" e "Dumb", no entanto dão um show a parte, tanto em sua letra, quanto em melodia.

A banda teve seu fim no ano seguinte, em 1994, no dia 05 de abril, quando Kurt Cobain suicidou-se, com um tiro na cabeça. Vários fatores levaram o talentoso artista ao suicídio, como a depressão, o fato de não se interessar mais como no início pela música... Leia a carta de suicídio de Kurt traduzida para a língua portuguesa, e tire suas conclusões:
"Para Boddah,
Falo na língua de um simplório experiente que obviamente gostaria muito mais de ser um covarde resmungão. Esta nota deveria ser bem mais fácil de ser compreendida. Todos os avisos do "Punk Rock 101 Courses" durante todos esses anos (é a minha iniciação do que poderíamos chamar da ética envolvida com a independência e com o engajamento de sua comunidade) foram provadas como verdadeiras. Eu não sentia a excitação de escutar, assim como de ler e criar música, e de compor algo por tantos anos. Me sinto culpado de dizer estas coisas através dessas palavras. Por exemplo, quando estamos no ‘backstage’ e as luzes se apagam e o rugido enlouquecido da multidão começa. Isto não me afeta da maneira que afetava o Freddie Mercury, que parecia adorar e gostar do amor e da admiração da platéia, o que é algo que eu admiro e invejo totalmente.
O fato é que eu não posso enganar você, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo com você nem comigo. O pior crime que eu poderia pensar seria o de afastar as pessoas, enganando-as, fingindo que eu estava curtindo, me divertindo 100%. Às vezes sinto que eu deveria levar uma porrada cada vez que subisse nos palcos. Eu já busquei forças para gostar disso, e eu gosto, Deus acredite em mim, eu gosto, mas não é o suficiente. Eu aprecio o fato de que nós comovemos e entretivemos muita gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só gostam das coisas quando elas acabam. Sou muito sensível, preciso estar ligeiramente entorpecido para recobrar o entusiasmo que eu tinha quando era criança. Nas nossas últimas três turnês, comecei a gostar mais de todas as pessoas que conheci, pelo lado pessoal e pelo lado de fãs da nossa música. Mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos.
Há bondade em todos nós e eu simplesmente amo muito as pessoas. Amo tanto, que isto faz me sentir tão fodidamente triste. Sou um cara do signo de Peixes, triste, que ninguém dá atenção, um devoto cristão. Por que você simplesmente não relaxa e curte? Não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa e que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra bastante o jeito que eu costuma ser, cheia de amor e alegria, beijando cada pessoa que ela encontra porque todo mundo é legal e não vai machucá-la. Não suporto pensar na Frances tornando-se uma pessoa infeliz, auto-destrutiva uma roqueira da morte, coisas que eu me tornei.Eu tô legal, tô numa boa, e sou muito agradecido por isso, mas desde os 7 anos me tornei odiável perante as pessoas em geral. Isso porque parece tão fácil para os outros se darem bem e ter empatia entre si. Só porque eu amo e sinto muita dó das pessoas, eu acho. Obrigado a todos, do fundo da minha úlcera, pelas cartas e demonstrações de preocupação durante os últimos anos. Eu sou muito de lua! Não tenho mais aquela paixão, então, lembre-se: é melhor apagar de uma vez do que ir sumindo aos poucos. Paz, Amor, Empatia. Kurt Cobain.
Frances e Courtney, eu estarei em seu altar.
Por favor, continue, Courtney, pela Frances.
Para que a vida dela seja muito mais feliz sem mim. EU AMO VOCÊS. EU AMO VOCÊS."
De fato muito triste. Vários artistas de enorme talento se emocionaram com a morte do líder do Nirvana. Talvez, dentre tantos estes, o que mereça mais destaque seja Eddie Vender. Vocalista e eventual guitarrista da banda Pearl Jam, com a morte de Kurt disse que a rivalidade entre as bandas havia sido superada, e que ele, inclusive considerava demais Kurt Cobain. Há relatos de que os dois tenham dançados junto em um baile, em 1991. Possivelmente, a rivalidade entre Nirvana X Pearl Jam tenha surgido com a crítica de Kurt Cobain ao primeiro álbum, "Ten". Segundo ele, "Ten" seria um álbum comercial demais, e não pertencia ao movimento Grunge por conter extensos solos de guitarra (vide "Alive", por sinal, um solo fodastico).

No fim das contas, o legado que a banda deixou vale muito mais que um suicídio. Vale mais que qualquer outro poderia pagar. Embora seja feita por dinheiro, a essência da música não se compra, não se vende. Tem um valor que ninguém pagaria, que ninguém conseguiria pagar. Tem o espírito de quem a escreveu, a alma, os sentimentos. Obrigado a todos.

2 comentários:

  1. É tão bom saber que voltou ao blog!Eu estava à espera para ver os seus ótimos posts!E melhoras para a sua mãe :)

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  2. Muito obrigado! É muito bom saber que agora tem gente que comenta os posts! \OOOOO/

    Valeu mesmo, aguarde novos post muito em breve =D

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